O CFOP 1102 é o código de “compra para comercialização” em operação dentro do estado: a entrada de mercadoria que a empresa adquiriu de fornecedor local para revender. É um dos códigos de entrada mais usados do varejo e do atacado — e a porta de entrada do crédito de ICMS na revenda.
O que significa o CFOP 1102
Na tabela oficial, a descrição é “compra para comercialização”. O primeiro dígito 1 indica entrada de mercadoria vinda do próprio estado; o grupo 1 seguinte reúne as compras para industrialização, comercialização ou prestação de serviços; e a terminação 02 aponta a finalidade específica: revenda.
É o código do dia a dia do comércio: a loja que compra do distribuidor local, o mercado que abastece a gôndola, o e-commerce que repõe estoque com fornecedor do mesmo estado — todas essas entradas são 1102.
Quando usar (e quando não usar)
Use o 1102 quando a mercadoria entra para ser revendida e o fornecedor está no mesmo estado. Não use quando: a compra é de insumo que será transformado (industrialização → 1101); o fornecedor está em outro estado (→ 2102); a mercadoria é para uso e consumo do próprio negócio (→ 1556); ou o bem vai para o ativo imobilizado (→ 1551).
Um detalhe que vale dinheiro: a mesma compra pode exigir códigos diferentes por item. O distribuidor que compra 100 unidades para revenda e 2 para mostruário de uso interno deve segregar — 1102 para as primeiras, 1556 para as últimas — porque a finalidade define não só o código, mas o direito ao crédito.
Crédito de ICMS na compra para revenda
Para empresas do regime normal (Lucro Real ou Presumido), a entrada com 1102 é, em regra, geradora de crédito: o ICMS destacado na nota do fornecedor é escriturado a crédito e compensado com os débitos das vendas, respeitadas as regras estaduais e as hipóteses de substituição tributária — quando a mercadoria vem com ICMS-ST, a sistemática muda e o código de entrada também (a família do 1403 trata dessas operações).
Empresas do Simples Nacional não se apropriam de crédito na sistemática normal: o imposto é recolhido no DAS sobre a receita. Ainda assim, a correta classificação das entradas importa — ela alimenta o estoque, o inventário e os cruzamentos do SPED, e classificação errada de entrada é fonte clássica de notificação fiscal.
1102, 1101, 2102: as diferenças que importam
| Código | Finalidade | Origem do fornecedor |
|---|---|---|
| 1102 | Revenda (comercialização) | Mesmo estado |
| 1101 | Industrialização (insumo) | Mesmo estado |
| 2102 | Revenda (comercialização) | Outro estado |
| 1556 | Uso e consumo | Mesmo estado |
| 1551 | Ativo imobilizado | Mesmo estado |
A pergunta-guia é sempre dupla: de onde vem (define o primeiro dígito) e para que serve (define a terminação).
O espelho: qual CFOP vem na nota do fornecedor
A nota que você registra com 1102 normalmente foi emitida pelo fornecedor com CFOP 5101 (se ele vendeu produção própria) ou CFOP 5102 (se revendeu mercadoria de terceiros). O ponto que mais confunde: o código de entrada não copia o código de saída do fornecedor — ele é definido pela finalidade da sua compra. O mesmo 5101 do fornecedor vira 1101 na indústria que vai transformar o produto e 1102 no comércio que vai revendê-lo. Para as entradas que não se encaixam em nenhum código específico, existe o residual CFOP 1949.
CFOP 1102 e a Reforma Tributária
O CFOP segue obrigatório em 2026, agora ao lado dos campos de IBS e CBS e do cClassTrib da NT 2025.002 — detalhamos o novo código no guia do cClassTrib. Para quem compra para revender, a transição tem um recado direto: o IBS e a CBS nascem não cumulativos e de base ampla, o que torna a escrituração correta das entradas ainda mais decisiva para o aproveitamento de créditos no novo sistema. Erro de classificação de entrada hoje é crédito perdido amanhã.
E quando a divergência já virou autuação ou glosa de créditos, a defesa passa pela combinação entre a contabilidade e a assessoria jurídica tributária.
Perguntas Frequentes
O que significa o CFOP 1102?
Significa “compra para comercialização”: a entrada, vinda de fornecedor do mesmo estado, de mercadoria que a empresa vai revender. O dígito 1 indica entrada interna; a terminação 02, a finalidade de revenda.
Qual a diferença entre CFOP 1102 e 1101?
O 1102 é compra para revenda; o 1101, compra de insumo para industrialização. O destino que a empresa dará à mercadoria define o código.
Qual a diferença entre CFOP 1102 e 2102?
A finalidade é a mesma (revenda); muda a origem do fornecedor: 1102 para o mesmo estado, 2102 para outro estado.
Compra com CFOP 1102 gera crédito de ICMS?
No regime normal, em regra sim: o ICMS destacado na nota gera crédito, respeitadas as regras estaduais e as hipóteses de ST. No Simples Nacional não há apropriação de crédito na sistemática normal.
Qual CFOP o fornecedor usa na venda que eu registro com 1102?
Tipicamente 5101 (produção própria) ou 5102 (revenda), em operação interna. O código de entrada reflete a finalidade da sua compra, não copia o de saída.
O CFOP 1102 continua valendo com a Reforma Tributária?
Sim. A NF-e passou a destacar também IBS e CBS com o cClassTrib, mas o CFOP segue obrigatório — e a escrituração correta das entradas é a base dos créditos também no novo sistema.
Conclusão
O CFOP 1102 é o código que move o comércio — e o elo entre a compra bem classificada e o crédito bem aproveitado. Com IBS e CBS estreando a não cumulatividade ampla, a disciplina na escrituração das entradas virou ativo financeiro, não burocracia. Se a sua empresa quer revisar a parametrização das compras e garantir que nenhum crédito fique para trás na transição, fale com um especialista da Trivium.


